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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Desnutrição no idoso



De acordo com um estudo recentemente divulgado, em Portugal, um quarto dos seniores apresenta baixo peso. Calcula-se, ainda, que no geral cerca de 50% dos idosos sofram de desnutrição.

Já diz o ditado que pela boca morre o peixe. E nada mais verdadeiro quando se fala na terceira idade, já que um dos problemas mais frequentes é precisamente a desnutrição. Segundo alguns estudos europeus, extrapolados para Portugal, estima-se que o risco de desnutrição é de aproximadamente 40 a 50% dos idosos que vivem na comunidade. Os números vão aumentando para mais de 50% quando se fala nos seniores hospitalizados ou residentes em lares.
«A desnutrição é uma situação de doença decorrente de um défice entre as necessidades nutricionais e o que é efectivamente ingerido. Este desequilíbrio, quando prolongado, leva à alteração da função de vários órgãos», esclarece Messias, especialista em Medicina Interna e Cuidados Intensivos.

Para este médico e coordenador da Comissão de Nutrição do Hospital da Luz, a desnutrição pode provocar consequências irreversíveis no idoso. «Esta situação aumenta a probabilidade de desenvolver outras doenças, amplia o risco de infecção, atrasa a recuperação de outras situações (particularmente, as cirurgias e os tumores) e retarda os processos de cicatrização. Simultaneamente, contribui para uma diminuição da resposta à medicação.

Embora nos países desenvolvidos, a desnutrição não seja considerada uma causa de morte, quando há uma doença de base, a esperança média de vida nas camadas idosas desnutridas «é ligeiramente inferior à das com bom estado nutricional». Mas, para além da mortalidade, a nutrição desadequada nos seniores pode «reduzir significativamente a qualidade de vida: subtrai-lhe a força, a capacidade de se deslocar e se cuidar, para que possa manter um dia-a-dia socialmente activo».

Quando pesa na carteira

Num país como Portugal, em que as reformas em alguns casos mal chegam para os gastos em farmácia, muitos idosos preterem a sua alimentação por falta de recursos económicos. Para António Messias, «a desnutrição» nos seniores «pode ter origem em causas sociais, como o isolamento e a incapacidade física ou intelectual, que condicionam fortemente a dependência».

Mas, apesar de alguns dos idosos terem carências alimentares devido a razões económicas, a desnutrição pode estar associada a uma patologia: «má dentição, alteração do paladar ou do cheiro, depressão, perda de apetite em virtude de um tumor».

A desnutrição, para além de ter um impacto na saúde do idoso, acarreta «elevados custos sociais e em saúde». De acordo com o especialista, só no Reino Unido, durante o ano de 2006, os custos com a desnutrição rondaram os oito mil milhões de euros. «O ideal seria a prevenção da sua ocorrência», assegura António Messias. E continua: «Quando diagnosticada precocemente, a desnutrição tem um tratamento fácil. Mas, em fases adiantadas, o seu tratamento pode ser difícil ou até mesmo impossível.»

Ordem para nutrir

«A desnutrição é, com frequência, um motivo de internamento. E, em múltiplas situações (tumores, doenças infecciosas, neurológicas ou intervenções cirúrgicas), está reconhecido que aumenta significativamente o tempo de permanência hospitalar», fundamenta António Messias.
Segundo o especialista, «uma nutrição adequada amplifica a longevidade, já que tem um carácter preventivo para vários doenças». Simultaneamente, «melhora a capacidade de resposta ao stress e à doença, proporcionando uma melhor qualidade de vida», indica.

O Parlamento Europeu apresentou, em 2008, duas resoluções no combate à desnutrição e à obesidade. Aliás, estes problemas alimentares, no âmbito da estratégia da saúde da União Europeia entre 2008 e 2013, deverão ter um cariz prioritário. António Messias lamenta, no entanto, que, apesar de ter sido criada uma plataforma nacional de luta contra a obesidade, ainda «não tenham sido dados os passos para travar a desnutrição».

Para o especialista em Medicina Interna e Cuidados Intensivos, a solução passaria pela criação de um Plano Nacional de Luta contra a Desnutrição. Só assim, diz, «haveria um enquadramento legal e, consequentemente, uma melhor definição dos intervenientes e possibilidades de junção de meios e recursos».

«É muito importante sensibilizar a sociedade e os profissionais de saúde para o problema da desnutrição no idoso. O cálculo do risco nutricional deveria fazer parte da avaliação de saúde de todos os seniores», considera. «Deverá, para isso, ser colmatada a carência de profissionais de nutrição nos serviços de saúde. Mas, também, tem de haver um enquadramento legal e uma comparticipação, em ambulatório, de alguns produtos na área da nutrição», acrescenta.
 
Faça as contas

Se não sabe se o peso que tem está dentro da média, a fórmula é simples: «Através do índice de massa corporal (IMC), o idoso pode ter uma ideia aproximada do seu estado nutricional. Para calcular, basta dividir o peso pelo quadrado da altura (em metros)», explica António Messias.

«No idoso, considera-se peso baixo quando o IMC é inferior a 24. Mas é importante perceber se houve uma perda de peso não intencional ou uma redução significativa da quantidade de alimentação ingerida. De qualquer modo, para uma avaliação mais rigorosa do estado nutricional, o idoso deve recorrer aos serviços de saúde, os quais deverão ter cada vez mais atenção às questões relacionadas com a nutrição.»

Contudo, para quem quer estar na linha, sem perder peso, as primeiras medidas começam à mesa de casa: «A alimentação deve ser equilibrada e ajustada à faixa etária, às situações de doença e toma de medicação.» O sénior deve ter «seis refeições por dia, com duas refeições principais, e quatro pequenas refeições intercalares».

Os alimentos devem ser variados, evitando, tanto quanto possível, a ingestão do sal e da gordura. Pelo contrário, podem usar e abusar da ingestão de vegetais. «De um modo geral, devem ingerir mais de um litro de água por dia, com especial atenção no período do Verão. Ocasionalmente, podem necessitar de suplementação alimentar ou nutricional, nomeadamente ferro e algumas vitaminas.»

Fonte "Sapo Saúde"

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