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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Hipertensão arterial


Menos um grama de sal por dia poupa 2640 vidas por ano. Saiba como.

O sal dá sabor à vida e tem uma riqueza cultural indiscutível. No tempo dos gregos e dos romanos, os salários eram pagos em sal. No entanto, e talvez devido a esta carga cultural, os portugueses excedem as gramas salinas que deveriam ingerir por dia. Daí ao aparecimento da hipertensão arterial, a rapidez é notória.
Por outro lado, dizem os especialistas, esta surge como a principal causa de aparecimento de doenças cardio e cerebrovasculares, como, por exemplo, o AVC. Os números da incidência desta doença em Portugal e no mundo são preocupantes. Por outro lado, medidas relativamente simples podem salvar vidas.
«A hipertensão arterial é provavelmente a causa de morte mais notória em todo o mundo porque os doentes hipertensos têm maior propensão em desenvolver complicações cardiovasculares, como o Acidente Vascular Cerebral (AVC), o enfarte do miocárdio, a angina de peito, entre outras manifestações», afirma Jorge Polónia, especialista em Medicina Interna e consultor de hipertensão no Hospital Pedro Hispano.

«Basta a pessoa ser hipertensa para ter um risco três a quatro vezes superiores relativamente a doenças cardiovasculares», acrescenta Braz Nogueira, membro da Sociedade Europeia de Hipertensão e Chefe de Serviço de Medicina Interna do Hospital de Santa Maria.


Recomendações da Organização Mundial de Saúde
O nosso organismo habituou-se a reter o pouco sal disponível. Este tem um efeito estimulante das papilas gustativas e tem um paladar que é considerado agradável. Por esse motivo, Portugal é um dos países com maiores taxas de ingestão de sal. «A Organização Mundial de Saúde (OMS) defende que a espécie humana não deve comer mais do que seis gramas de sal por dia. Este é o limite nos adultos», afirma Jorge Polónia.
Estudos feitos recentemente vieram demonstrar que a média de ingestão de sal no nosso país situa-se entre as 12 e as 13 gramas diárias. O problema é que as pessoas nem se apercebem da enorme ingestão salina que fazem diariamente. «Basta reduzir um grama de sal por dia para poupar 2640 vidas por ano. Se descermos dois gramas de sal por dia, poupamos 5560 vidas. Se reduzirmos quatro gramas de sal por dia, conseguimos poupar 7540 vidas por ano».
Números impressionantes que dão que pensar. Jorge Polónia acrescenta que «esta atitude gradual, lenta, ponderada de redução da ingestão do sal pode ser a principal medida de saúde pública alguma vez feita em Portugal porque vai atacar a principal causa de morte que é o AVC».
O doente hipertenso tem quatro a cinco vezes mais probabilidade de vir a sofrer desta patologia. «O grande número de acidentes ocorre em hipertensos que têm elevações tensionais não muito grandes, e que, associadamente, têm outro tipo de riscos, como por exemplo, são fumadores, têm valores de colesterol elevados, são obesos, diabéticos, etc.», fundamenta Braz Nogueira.


Efeitos do sal nas artérias

«O sal tem um efeito que estimula o crescimento de células. Essas células engrossam os vasos ou aumentam a espessura do coração. Ficamos com o coração hipertrofiado. Essa hipertrofia é uma das causas importantes do enfarte de miocárdio, da insuficiência cardíaca e da morte por arritmias em doentes. Temos um efeito tóxico sobre os vasos que os faz engrossar. O sangue que circulava por uma rua larga passa assim a circular por uma rua estreita e chega em menos quantidade aos tecidos», explica Jorge Polónia.

Por outro lado, os restantes factores de risco têm a sua importância e vão também ser prejudiciais às artérias. «Estas começam a ser infiltradas por umas células que se enchem de gordura, engrossam as paredes e formam o que se chama de placas de arterosclerose. Essas placas vão aumentando, ficando muito mais susceptíveis de romperem, por vários factores. Por exemplo, o fumo do tabaco faz com que se tornem muito mais susceptíveis de romper, havendo maior probabilidade do sangue coagular nessas zonas e fazer uma obstrução das artérias», acrescenta Braz Nogueira.
 
 
Hipertensão arterial: a partir de que valores?

Uma pessoa é considerada hipertensa quando apresenta valores tensionais acima dos 140 (máxima) e 90 (mínima), após medições repetidas, caso o doente não seja diabético nem tenha sofrido nenhuma doença cardiovascular. «Caso contrário, o limite é 130/80. Um doente diabético com estes valores é também um doente hipertenso e deve ser tratado para valores abaixo desses. O diabético tem muito mais risco e há uma maior dificuldade em baixar a pressão arterial», defende Jorge Polónia.

Os doentes hipertensos devem controlar a sua tensão arterial. É conveniente que comecem a fazer medicação, o mais rapidamente possível. «Para a grande maioria dos doentes, o tratamento farmacológico será para o resto da vida. Se indivíduo começar a fazer tratamento para uma hipertensão ligeira, evita que se transforme numa hipertensão moderada ou severa», diz-nos.

Os indivíduos que tenham valores normais de pressão arterial devem medi-la de seis em seis meses. Em idades mais jovens, bastará uma medição anual. «Como se trata de um acto tão simples de realizar, é recomendável que o façam». Para os doentes hipertensos, os conselhos são outros. «A medição deve ser muito mais frequente em doentes hipertensos para que as variações de pressão arterial sejam analisadas e detectadas.»
Jorge Polónia aconselha a que a medição seja realizada em casa. Para isso, o doente deve comprar um aparelho validado, ou seja, excluem-se praticamente «todos os aparelhos de pulso. Estes são mais imprecisos, envolvem-se em muitos erros e estão a medir uma pressão arterial que não corresponde àquela que queremos ter avaliada e que se situa junto ao coração», diz-nos.

Sintomas do AVC

Ao contrário da hipertensão arterial que é assintomática, o AVC está associado ao aparecimento de alguns sintomas que não devem nem podem ser ignorados: diminuição de força de um dos membros e uma clara incapacidade da pessoa se expressar. É comum que os outros não entendam o que o doente quer dizer.

«Mesmo que essas alterações apareçam e passem rapidamente (e que podem traduzir um acidente isquémico transitório), esses doentes não devem ignorá-los pois 10% deles resultam num AVC total», alerta Braz Nogueira. O passo seguinte é procurar ajuda médica, de forma a que seja iniciada uma terapêutica preventiva e para que seja identificada a causa deste episódio.

Há uma idade a partir da qual aumenta a incidência de AVC. «É mais frequente o seu aparecimento a partir dos 70 anos. «Anualmente, há entre 15 a 16 milhões de novos AVC, em todo o mundo. A percentagem de recorrência situa-se nos 20%. São números muito alarmantes».
O especialista indica ainda que «cerca de 25 a 30% dos doentes com AVC morrem durante o primeiro ano. Ao fim de um ano, 1/4 ou 1/3 de doentes faleceu; 1/3 fica com sequelas e dependente e só 1/3 é que recupera razoavelmente. Isto é uma grande sobrecarga para a família e para o próprio doente que sofre muito com essa situação».

Fonte "Sapo Saúde"

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