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segunda-feira, 24 de maio de 2010

Perdas auditivas, o que são?

Estima-se que mais de um milhão de portugueses sofra deste problema, que afecta sobretudo os mais idosos.
Estima-se que mais de um milhão de portugueses sofra deste problema, que afecta sobretudo os mais idosos, devido ao processo de envelhecimento, mas também pode estar associado a factores ambientais, nomeadamente à poluição sonora a que estamos sujeitos hoje em dia.

Muitos idosos queixam-se de perda de audição à medida que os anos vão passando, mas não estão sozinhos. A Organização Mundial de Saúde estima que 500 milhões de pessoas sofram do mesmo mal, e nem todas estão acima dos 65 anos.
Em média, começa-se a perder a acuidade auditiva a partir dos 50 anos. O número de afectados tem vindo a aumentar não só pelo aumento de esperança de vida mas também devido à poluição sonora a que estamos sujeitos diariamente na rua, no trabalho ou mesmo em casa, que pode ultrapassar níveis prejudiciais para o ouvido.

Ligeira ou total


A perda de audição acontece sempre que se verifica uma diminuição da capacidade de ouvir ou de distinguir os sons do meio que nos rodeia. “Essa diminuição poderá ser muito ligeira, apenas notada quando o indivíduo se encontra num meio em que exista algum ruído de fundo ou em que esteja rodeado por um grupo de pessoas em que as conversas se cruzam, ou quando quer perceber outra pessoa com um tom de voz muito baixo ou com má dicção, até aos casos em que a perda auditiva é total nos dois ouvidos, a chamada cofose”, explica João Olias, otorrinolaringologista e membro da SPORL (Sociedade Portuguesa de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial).
Como refere o especialista, a deficiência auditiva pode dividir-se em duas tipologias: “a hipoacusia (diminuição auditiva) neuro-sensorial, com origem nas células cocleares do ouvido interno ou no nervo acústico, e a hipoacusia de transmissão, sempre que a causa se localiza no ouvido externo ou médio”.
Quando os dois tipos se conjugam, designa-se hipoacusia mista. A perda auditiva do idoso é geralmente do primeiro tipo, que se caracteriza por ter uma evolução lenta mas progressiva e que é irreversível, pois as células do ouvido interno não se regeneram. Por sua vez, a hipoacusia de transmissão é reversível, “quer por cura espontânea quer por terapêuticas médicas ou cirúrgicas”, realça João Olias.

Razões para a perda
As causas das perdas auditivas são variadíssimas, podendo ser divididas em congénitas ou adquiridas. “As mais frequentes, no primeiro grupo, são as que resultam de infecções virais contraídas pela mãe durante a gravidez, como a rubéola e a toxoplasmose. Durante a infância, os vírus responsáveis pela maior parte das perdas irreversíveis são os da parotidite (papeira) e varicela, mas são as doenças inflamatórias e infecciosas nasais e sinusais as que predominam, provocando hipoacusias de transmissão (temporárias)”, alerta o otorrinolaringologista.
No entanto, as perdas auditivas podem ter origem num trauma acústico, em infecções virais ou bacterianas, e substâncias tóxicas. “No idoso, predominam os problemas de origem vascular (má irrigação, acidentes vasculares, entre outros) e a degeneração das células do ouvido interno. Aos 70 anos, metade da população já sofre de algum grau de hipoacusia, pela diminuição progressiva das células funcionantes”, assegura o especialista.
A sintomatologia começa pela dificuldade em perceber as palavras ou frases, geralmente durante a permanência em ambiente com ruído de fundo. “A progressão da doença faz com que o indivíduo, que de início não ouve apenas alguns sons, acabe por ter de pedir que se fale mais alto e aumentar o volume de aparelhos de emissão sonora, para que os consiga perceber”, sublinha João Olias.
Os sintomas que acompanham a maior parte dos casos de lesão das células do ouvido interno são os zumbidos constantes, mas de intensidade variável, quase sempre de frequência aguda. Por vezes, “tornam-se muito incapacitantes, se atingem volume suficiente para que sejam audíveis mesmo sob o ruído ambiente da vida diária”, explica o médico.

Tratamentos mais comuns

Quando a perda auditiva tem origem no ouvido interno, o tratamento passa, como explica João Olias, por melhorar medicamente a irrigação e a oxigenação das células restantes, com a finalidade de, para além de dar algum alívio sintomático, prevenir a evolução irreversível da doença. Caso esta seja do foro infeccioso/inflamatório agudo, “a terapêutica passa pelo uso de antibióticos, anti-inflamatórios, descongestionantes nasais e das trompas de Eustáquio; se a doença é crónica, por osteíte mastoideia, será necessário o recurso a cirurgia, sem a qual não se atinge a erradicação das células ósseas infectadas. A otite média crónica por colesteatoma constitui um grupo em que a atitude cirúrgica é obrigatória, pelo grau de complicações graves que podem surgir por uma evolução não controlada”, afirma o otorrinolaringologista.
Em muitos casos, apenas os aparelhos auditivos impedem o isolamento que a surdez e a perda auditiva causam a quem dela sofre. No entanto, o seu elevado preço impede que estejam acessíveis a grande parte da população. “Os poucos recursos oficiais não têm resolvido esta barreira, sendo as comparticipações quase sempre diminutas, o que obriga a que os doentes façam grandes esforços para conseguirem obter o único processo de verem reabilitada uma das funções mais importantes da sua vida de relação, a audição”, realça o otorrinolaringologista.
Eduardo Barreto, 83 anos, é um exemplo de como é difícil obter comparticipação na compra deste tipo de aparelhos. Tudo começou há um ano, e ainda não teve fim. Por ser surdo do ouvido esquerdo e ouvir mal do direito, Eduardo Barreto decidiu comprar um aparelho auditivo e tentou informar-se sobre a compartição a que teria direito, mas até agora apenas viu o seu caso passar de entidade para entidade, ou seja, do Centro de Saúde da Parede para a Assistência Social de Cascais, passando pelo Hospital Egas Moniz e terminando no Centro de Saúde onde tudo começou. Nisto resultaram vários quilómetros percorridos e poucas explicações.
Eduardo Barreto avançou para a compra do aparelho, tendo gasto 1460 €, embora não saiba se alguma vez vai receber algum dinheiro, mas certo é que, com o aparelho, voltou a integrar as conversas que antes não ouvia, e isso já é suficiente para o deixar satisfeito.

Métodos de diagnóstico
A partir dos 50 anos, recomenda-se uma revisão auditiva anual, que permite identificar se há ou não perda auditiva e respectivo tipo e grau, através dos seguintes exames:

Audiograma tonal e vocal: Exames de base ou rastreio.

Impedancimetria: Testes que medem a pressão do ouvido médio e testam a resposta reflexa aos estímulos sonoros.

Potenciais evocados auditivos: Exames para despistar a patologia mais grave da via auditiva central.


Fonte "Saúde Sapo"

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