Quero mostrar que esta fase também pode e deve ser bonita, saudável, activa e vivida com muita felicidade!!...

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Apoiar um doente com cancro-O meu testemunho Real e um Artigo bem interessante

Hoje , a propósito de um artigo que li e que hoje aqui vou publicar, resolvi primeiro que tudo dar o meu testemunho pessoal (que já muitos de vós conhecem) mas também com a consciência que o faço pela última vez pois não quero expôr mais este assunto....
 Não faz muito tempo (2 anos), entrou-me pelas portas de minha casa, na pessoa do meu AMADO MARIDO, o cancro, mais propriamente o Linfoma Folicular. Trata-se de um cancro que está no sangue e tem a ver com o nosso sistema linfático, é indolente e pode andar adormecido e sem que deia-mos por ele, anos e anos.
Com o meu marido foi assim, surgiu-lhe um gânglio que inchou mais que o que é normal e levou-o ao médico. No inicio diziam não ser nada especial (uma inflamação ou infecção) mas como ele persistiu foi fazer biopsia aspirativa o que também nada revelou sobre a doença.Já quase desistíamos até que numa consulta com um cirurgião, ele resolveu retirar aquilo tudo numa cirurgia e depois aí sim estudar qual era o verdadeiro problema. O resultado foi o pior: Cancro na Linfa "LINFOMA", iniciou-se assim um pesadelo de exames, testes, análises e veio a QUIMIOTERAPIA, deixou-o de rastos e a mim também por o ver assim....
Temos 4 filhos e tivemos de contornar algumas situações de forma a minorar tudo o que isto envolve numa casa de familia em que até ali se vivia um clima de normalidade.
Falámos com os mais velhos e poupámos os mais pequenos que ainda não entendem, mas um dia saberão da força, da fé e do sacrificio que esta doença nos provocou a todos nós (ao pai principalmente). Eu estava a meio de um Curso e ele não me deixou desistir, pelo contrário, ele ficou de baixa e mesmo cansado e debilitado com os tratamentos ficou muitas vezes com os miudos para que eu pudesse ir estagiar. Eu, que antes tinha o apoio dele nas tarefas diarias, tive de começar a fazer tudo sózinha (ele não quis contar a ninguém da familia por isso este segredo está só nas nossas 4 paredes) ....ainda tinha tempo para ir ter com ele aos tratamentos de quimioterapia, nunca o deixei sózinho....e a cada dia este amor por ele crescia, crescia crescia, e perguntava-me porquê meu Deus nos destes algo assim, porquê ele, um homem maravilhoso, e um pai extremoso e dedicado à familia e que sempre a pôs em primero lugar, embora tenha um trabalho de muita responsabilidade e perigo (trabalha na área de investigação criminal). Porquê meu Deus ....
Mas não há sequer tempo para lamentos, choros, desânimo, temos sim de arranjar forças venham elas de onde fôr e animar, acarinharmos-nos uns aos outros e ter fé muita fé, o amor é aqui que se revela forte e verdadeiro ou não e o meu mostrou-se maior que a própria vida e tudo farei por ele e pelos meus filhos que também precisam de ser apoiados. Abdicar de algumas coisas sem pena é demonstrar amor, mostrar que nos preocupamos, que estamos lá para o que der e vier isso sim é nestes casos a mais importante prova de amor.
Ontem iniciou os tratamentos de Radioterapia, mais uma etapa na nossa vida mas cheios de uma certeza: VAMOS VENCER E ELE VAI FICAR CURADO!!!

(nnca mais falarei deste assunto faço-o aqui hoje como último desabafo mas por última vez porque acho que não tenho de falar mais nada, apenas o faço como testemunho de fé e de esperança para quem está em situações idênticas....)

Deixo-vos aqui, depois do meu testemunho, um artigo muito interessante que achei oportuno colocar:

Apoiar um doente com cancro


Não se vence nem se lida com um cancro sozinho. O aspecto psicológico do paciente e o apoio dos familiares e amigos são essenciais no processo de cura e aceitação doença.
O primeiro passo é pôr o doente em contacto com outras pessoas que tiveram o mesmo problema e que podem dar não só o seu testemunho pessoal, como transmitir informações úteis. É essencial que os doentes possam expressar o que sentem, desde as suas angústias e medos, a outro tipo de pensamentos, associados, na maioria das vezes, a estados depressivos, crises de choro, ataques de pânico e ansiedade.

Nesses casos, embora a família possa ser uma ajuda preciosa, poderá valer a pena procurar um psicólogo.
Especialistas em comportamento afirmam que a comunicação e a entre ajuda nunca foram tão importantes. Um dos erros mais frequentes mas também mais prejudiciais, é tornar o assunto tabu, fingindo que nada de grave se passa.
O silêncio é constrangedor e acaba sempre por gerar um efeito de bola de neve com consequências catastróficas. É importante que a família esteja bem informada e que se possa falar abertamente sobre o que se está a passar.
Em casos mais graves, pode valer a pena contratar um enfermeiro para acompanhar o doente, evitando desta forma o esgotamento físico e emocional dos familiares mais próximos. Quando isso não é possível, assistentes sociais do hospital podem ajudar na procura de um voluntário que se desloque a casa do doente para ajudar nas tarefas mais elementares. Para além disso, o assistente social poderá sugerir recursos sociais para ajudar na recuperação da doença, especificamente ajuda financeira, facilidades de transporte e cuidados ambulatórios.

O papel da família é, como vimos, fundamental para que o doente se sinta apoiado e reconfortado. Algumas sugestões de apoio:


- É essencial dar conforto e confiança ao doente, convencendo-o, quando necessário, a continuar os tratamentos e a enfrentar as mudanças inerentes à doença. É conveniente lembrar que o apoio dos familiares e amigos é muito diferente do dos médicos. Verificam-se, aliás, efeitos benéficos quando os familiares mais próximos permitem abordar o assunto de forma livre e espontânea, bem como quando existe harmonia familiar;



- É importante estar bem informado acerca da doença, bem como o tipo de tratamentos a que será submetido e a evolução da doença. É muito importante falar com a equipa medica e acompanhar o doente, sempre que possível, nas consultas médicas;


- Desmistifique ideias preconcebidas acerca do cancro: esta doença nem sempre conduz a morte e não é contagiante. Este tipo de ideias erradas prejudicam o relacionamento com o doente;

- Reorganize as tarefas diárias e as rotinas do dia-a-dia, de forma a ter a máxima disponibilidade possível para acompanhar o doente;

- Mostre-se tolerante perante reacções pouco comuns, desde agressividade, raiva, negação, depressão, etc.


- Seja compreensivo com as dificuldades, sofrimentos, medos e ânsias de quem está doente. Este tipo de ajuda é, por vezes, tão terapêutica como os remédios;


- Divida as tarefas de ajuda ao doente, entre os familiares mais próximos e os amigos disponíveis, pois é impossível haver apenas um responsável por tudo;


- Partilhe com o doente as informações obtidas sobre a sua doença.


Em resumo, quanto mais os familiares estiverem informados sobre a doença, mais facilidade terão em ajudar o doente a adaptar-se a esta difícil fase da vida. Continuar presente e manter a confiança até ao fim é essencial. A presença confiante ajuda a aceitar a doença e a descobrir as energias necessárias para continuar a lutar.

Fonte do Artigo "Idade Maior"

10 comentários:

  1. Olá Mariana,
    Li o teu testemunho e fiquei bastante emocionada e sensibilizada...
    A vida é assim, por vezes, muito injusta e parece que nos está sempre a pôr a prova.
    És uma pessoa muito querida e não dúvido que o teu apoio ao teu marido tem sido incondicional.
    Ao teu marido só me resta dizer muita FORÇA e que pense sempre na familia maravilhosa que ajudou a construir e ficará de certeza mais motivado.
    Gostei muito de ler o teu post, mostra coragem, honestidade e muito AMOR!!!

    Um Beijinho grande Mariana!!

    Tudo de bom para ti e para a tua familia.

    Beijinhos grandes

    Sarinha

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  2. O porquê das coisas nos acontecerem eu não sei, mas sei que aprendemos muito, a vida é a nossa melhor escola. Tenho a certeza que vocês vão sair muito fortes desta luta, podemos ficar cansados e sem forças mas não devemos deixar de lutar, por nós e por aqueles que amamos.

    A vida também já me proporcionou algumas surpresas menos boas, mas aprendi imenso com cada uma, aprendi que o amor não tem limites e a amizade também não.

    Lutem sempre, por vocÊs e pela vossa família. Uma dia de cada vez com um sorriso nos lábios.

    Sendo um blog de culinária, ou não, acho que deves falar sempre que precisares. As palavras que se escrevem e as que se lêm dão-nos muita força. Por isso se precisares de falar estás à vontade.

    Um beijinho e muita força para vocês!

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  3. Mariana, li o teu testemunho e so não fica sensivel quem não tiver coração, por mim podes colocar mais asuntos em relação à tua vida e a este problema de saude, pois so te farà bem e não incomodas ninguém, pois so lé quem quer.
    Eu tive dois familiares muito querido e amados que morreram de um cancro e sei o que é ver sofrer sem nada poder fazer em troca a não ser dar carinho, apoio e mt amor.

    Tu deponstras aqui que apesar de sere uma boa mãe e trabalhadora és uma mulher muito forte, pois enfrentas-te esta doença com teu marido e filhos sem mais ausiliares de familia, é duro amiga e custa muito, muito, admiro-te imenso.

    So peço a Deus que te ajude a ti e tua familia principalmente teu marido, tem fé e melhores dias viram é o meu desejo.

    Deus é grande!
    Esta noite nas minhas orações farei uma por ti teus filhos e teu marido, para que esta nova étapa não seja tão dolorosa nas vosas vidas.

    Beijinhos grandes e coragem amiga

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  4. Querida amiga, não podia deixar de ler este teu testemunho e deixar-te aqui um enorme beijinho com toda a minha admiração, amizade e com votos de que esta seja mais uma etapa que consigam ultrapassar da melhor maneira, com muito amor, dedicação e união. Um grande abraço para o teu marido, que tanta força e coragem tem demonstrado, e para ti, amiga, um enorme beijinho.

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  5. Mariana,
    Acabei de ler o teu testemunho... Acho que já foi escrito pelas amigas a quase tudo o que eu queria dizer.
    Olha eu não sei porque acontece estas coisas, mas comigo também já aconteceu o mesmo... A minha mãe também teve um cancro quando eu tinha apenas 20 anos... E foi muito difícil para mim acompanhar todo o tratamento e vela sofrer. Pois naquela altura não tinham metade dos métodos que há hoje em dia. Os médicos diziam que era o pior tipo de cancro e que só lhe restavam uns messes de vida. Graças a Deus estou com 44 anos e a minha mãe esta bem. Por isso forca amiga e continua optimista.
    Beijinhos

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  6. Nem há palavras para animar que eu consiga e possa transmitir,...força amiga,...Deus te ajude, tem fé!
    Beijinhos

    www.strawberrycandymoreira.blogspot.com

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  7. Mariana,
    não há palavras...
    Apenas dizer-te que és uma grande mulher e que sem dúvida um apoio incondicional ao teu marido e filhos.
    As forças virão, não saberás bem de onde mas terás a energia toda do mundo para suportar todo esse momento menos bom. Quero deixar-te uma mensagem de Fé e Esperança. Tenho passado por momentos também desgradáveis e eles me ensinaram que sou mais forte do que penso. Só temos a carga que podemos suportar. Acreditar faz-me mais forte. A Fé e a Esperança que tenho levam-me a suportar todos os maus momentos e quando a tempestade passa, olho para trás e agradeço tudo de bom que tenho à minha volta. Aprendi a viver cada dia, cada minuto.
    Se precisares de falar, de desabafar conta comigo, sei tão bem como é a necessidade de partilhar. obagoderoma@gmail.com
    Beijinho muito grande e ACREDITA que o Inverno é uma estação e não dura para sempre :)

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  8. Olá mariana!
    Cheguei ao seu blog por puro acaso, e como eu estou a caminhar para a idade Sénior desde logo fiquei interessada.
    Não pude ficar indiferente ao seu testemunho, e desejo do fundo do meu coração as maiores bênçãos à sua família.

    Também gosto muito de cozinhar e muitas mais coisas.
    Bjs

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  9. É de uma grande coragem .... de mulheres assim e de homens precisa este mundo
    Muito ....vão conseguir porque crer é poder !

    Muitos parabéns

    Vão conseguir

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